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Valores a receber: o que fazer com o dinheiro esquecido?

Segundo dados do Banco Central (BC), divulgados nesta terça-feira, 8, os brasileiros têm mais de R$ 9 bilhões de “dinheiro esquecido” em algum banco, consórcio ou instituição financeira.

Desse total, cerca de R$ 6,9 bilhões são de 46 milhões de pessoas físicas e cerca de R$ 2 bilhões são para mais de 4 milhões de empresas. Quase um milhão de pessoas têm valores a receber acima de R$ 1.000. O que poderia ser feito com esse dinheiro e para onde ele vai caso continue esquecido?

Possibilidades de investimento

Após o resgate pelo cidadão, o dinheiro pode ser investido em diferentes opções, dependendo do perfil e dos objetivos dele: a escolha do investimento deve considerar o valor resgatado, o prazo desejado e o perfil de risco do investidor.

A maioria das contas, (64%), não tem mais do que R$10,00, então, investir vai ser uma opção para poucos. No entanto, quase um milhão de pessoas têm valores a receber acima de R$ 1.000 – essas têm boas possibilidades.

Para Roberto Lima Campos, contador especialista em planejamento patrimonial, deixar o dinheiro esquecido significa abrir mão de possíveis ganhos: “Com a taxa Selic atualmente em 11,75% ao ano, mesmo valores aparentemente pequenos podem crescer significativamente com o tempo. Por exemplo: R$ 1.000 aplicados a essa taxa podem render cerca de R$ 117,50 em um ano. Em cinco anos, com juros compostos, esse valor pode ultrapassar R$ 700,00”, diz.

Como transformar esse dinheiro?

Ainda segundo Lima Campos, a curto prazo (até 2 anos), algumas opções podem ser CDBs de liquidez diária, Tesouro Selic, para quem tem como objetivo fazer uma reserva de emergência ou tem metas imediatas. A vantagem dessas opções são a segurança e o acesso rápido ao dinheiro.

A médio prazo (de 3 a 5 anos), para quem tem o objetivo de comprar um bem ou fazer uma viagem planejada, há opções de CDBs com vencimento e tesouro IPCA+. A vantagem é que os rendimentos são superiores à poupança, e tem risco controlado.

Já a longo prazo (acima de 5 anos), para quem tem objetivo de aposentadoria, ou de investir na educação dos filhos, algumas opções são fundos de previdência (PGBL/VGBL), ações e fundos multimercado. Nestes casos, a vantagem é o potencial de maior retorno e benefícios fiscais.

E se não for sacado, para onde esse dinheiro vai?

Se o valor não for resgatado, ele será incorporado ao Tesouro Nacional. Embora exista a possibilidade de contestação ou ação judicial posterior, o processo pode ser burocrático e demorado.

Portanto, é mais prudente resgatar o quanto antes: “Ou seja, mesmo que o valor pareça pequeno, resgatá-lo e investi-lo pode ser o primeiro passo para construir uma base financeira sólida. Aproveitar essa oportunidade é uma forma de fazer o dinheiro trabalhar por você, em vez de deixá-lo parado”, completa Lima Campos.

Sem data definida para resgate

Em 2024, o Congresso concedeu autorização ao governo para recolher os valores esquecidos, porém o Ministério da Fazenda informou que esse procedimento ainda não foi iniciado.

Dessa forma, quem possui quantias esquecidas em bancos, consórcios ou demais instituições financeiras continua tendo a possibilidade de solicitar o resgate.

“As normas do Banco Central continuam valendo”, afirmou o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, destacando que os saques ainda estão permitidos. Ceron também admitiu que pode ter havido uma falha na forma como o governo comunicou essa questão, mas ressaltou que “a proposta partiu do Congresso”.

Como verificar se há valores a receber

A única plataforma oficial para consultar e solicitar a devolução de recursos — tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, inclusive de falecidos — é o site: https://valoresareceber.bcb.gov.br.

Por meio do sistema do Banco Central, o dinheiro será devolvido apenas se o solicitante informar uma chave PIX para o recebimento.

Se o usuário ainda não tiver uma chave cadastrada, será necessário entrar em contato diretamente com a instituição responsável para combinar como o valor será repassado. Outra alternativa é registrar uma chave e depois retornar ao sistema para concluir o pedido.

No caso de quantias vinculadas a pessoas falecidas, apenas herdeiros, representantes legais, inventariantes ou testamenteiros têm autorização para fazer a consulta. Também é exigido o preenchimento de um termo de responsabilidade. Após essa etapa, é necessário contatar diretamente as instituições onde há valores a serem devolvidos e seguir os trâmites indicados.

Atenção às fraudes

Para reforçar a segurança, o Banco Central atualizou, em fevereiro, o sistema de verificação de identidade no site “valores a receber”. O acesso ainda requer conta gov.br nos níveis prata ou ouro, mas agora é necessário passar por duas etapas de autenticação.

Isso quer dizer que, se a pessoa ainda não possui o aplicativo gov.br no celular, será preciso instalá-lo, inserir os dados solicitados e realizar a validação facial para habilitar a verificação em duas etapas. O acesso ao sistema é feito com CPF e senha.

Logo depois, o usuário deve gerar um código de acesso no app. É só clicar na opção “código de acesso”, copiar ou digitar a numeração exibida no campo correspondente no site.

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