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Viver sucessivos desastres ambientais piora saúde mental, diz estudo

Presenciar um desastre ambiental — como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul há um ano, ou os incêndios em Los Angeles em janeiro deste ano — pode trazer grandes impactos emocionais. Um novo estudo mostrou que a exposição a esses eventos extremos de forma repetitiva pode levar à piora da saúde mental.

A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, e foi publicada na revista The Lancet Public Health na terça-feira (29). Segundo o estudo, a saúde mental piora ainda mais quando uma pessoa passa por múltiplos desastres ambientais em um curto espaço de tempo, como em intervalos de um ou dois anos.

Os pesquisadores analisaram indivíduos em toda a Austrália que vivenciaram repetidamente desastres como enchentes, incêndios florestais ou ciclones. A pesquisa utilizou dados de 2009 a 2019.

No total, foram mais de 1.500 pessoas analisadas que tinham sido expostas a pelo menos um desastre. A saúde mental delas foi comparada a de 3.880 australianos com perfis sociodemográficos semelhantes, mas que não tinham passado por desastre no mesmo período.

O trabalho descobriu que mulheres, jovens, populações indígenas e pessoas em áreas rurais eram mais propensas a sofrer prejuízos na saúde mental após desastres repetidos. Além disso, indivíduos com condições de longo prazo, deficiência, aqueles com pouco apoio social, bem como proprietários de imóveis com hipotecas e locatários, experimentaram declínios maiores na saúde mental desde o primeiro até os desastres subsequentes.

Diante dos achados, os autores do estudo pedem mudanças nas formas como as comunidades são apoiadas após desastres recorrentes, incluindo um novo processo para triagem e planejamento aprimorado para o suporte na recuperação de desastres.

“Infelizmente, sabemos que as futuras gerações irão enfrentar múltiplos desastres ao longo de suas vidas, e agora estima-se que crianças nascidas hoje devem vivenciar sete vezes mais desastres ao longo da vida do que gerações passadas”, afirma Claire Leppold, pesquisadora em Resiliência Comunitária da Escola de Saúde da População e Global da Universidade de Melbourne, em comunicado à imprensa.

“Estamos começando a ter uma visão mais clara do que as pessoas precisam em sua recuperação após desastres e do que podemos fazer para garantir que os serviços de saúde, governos e organizações de serviços de emergência consigam apoiar efetivamente as pessoas diante de múltiplos desastres”, completa.

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